Da Floresta ao Mundo: Bênki Piyãko e o Chamado da Paz que Ecoa da Amazônia

Líder Indigena Bênki Piyãko

No extremo oeste da Amazônia brasileira, onde os rios são caminhos e a floresta é memória viva, uma notícia atravessou as águas do Juruá, percorreu os igarapés e alcançou o mundo: Bênki Piyãko, líder indígena do povo Ashaninka do Rio Amônia, foi anunciado como vencedor do Niwano Peace Prize, um dos mais respeitados reconhecimentos internacionais dedicados à promoção da paz e da harmonia entre os povos.

A honraria, concedida pela Niwano Peace Foundation, no Japão, chega em sua 43ª edição e carrega o peso simbólico de reconhecer aqueles que transformam o mundo pela via do diálogo, da espiritualidade e da defesa da vida. Em 2026, o prêmio encontrou seu destino no coração da floresta amazônica — e nas mãos de um homem cuja liderança nasceu da relação profunda entre seu povo e a Terra.

Para o Brasil, para o Acre e especialmente para Marechal Thaumaturgo, a conquista representa mais do que um reconhecimento individual. É um momento histórico que ilumina o papel dos povos originários na construção de caminhos para a paz planetária.

Bênki Piyãko é presidente do Instituto Yorenka Tasorentsi, iniciativa que se tornou referência internacional em restauração ecológica, educação ambiental e fortalecimento cultural indígena. Através do instituto, ele vem mobilizando comunidades, jovens e lideranças para recuperar áreas degradadas da Amazônia, plantando milhares de árvores e semeando uma nova consciência sobre o cuidado com a Terra.

Mas Sua Atuação Vai Além da Ecologia.

 

Bêkii Piyãko duscussa em eventos com joves de Marechal Thaumaturgo

Ela nasce da espiritualidade ancestral, do conhecimento tradicional e da compreensão de que a paz não é apenas ausência de conflito — é harmonia entre pessoas, culturas e natureza.

Sob sua liderança, surgiram iniciativas que fortalecem a identidade indígena e ampliam o diálogo entre saberes, como a realização da Conferência Indígena da Ayahuasca, espaço internacional dedicado ao debate sobre espiritualidade, medicina tradicional e a proteção jurídica dos conhecimentos ancestrais.

Nesse movimento, Bênki tornou-se também um diplomata da floresta.
Sua voz ecoa em encontros internacionais, universidades e fóruns globais, sempre levando uma mensagem simples e profunda: cuidar da Terra é uma missão comum da humanidade.

O reconhecimento do Prêmio Niwano reafirma essa trajetória. Em nota, o Instituto Yorenka Tasorentsi destacou que a premiação valoriza “o compromisso com o diálogo intercultural e a transmissão de conhecimentos tradicionais como ferramentas de paz”.

 

Mais do Que Um Prêmio, Um Símbolo.

Bênki Piyãko - Lider do Povo Asahninka dio Rio Amônia (Marechal Thaumaturgo) e Presidente do Istituto Yorenka Tasorentsi

Em tempos de crise climática e incertezas globais, a escolha de um líder indígena amazônico envia ao mundo um recado poderoso: os povos que há milênios cuidam da floresta carregam também as respostas para o futuro do planeta.

A cerimônia oficial acontecerá em Tóquio, no dia 12 de maio de 2026, quando Bênki Piyãko receberá o certificado do prêmio, um troféu e 20 milhões de ienes, valor que ultrapassa R$ 600 mil quando convertido para a moeda brasileira.

Mas para quem conhece sua caminhada, o verdadeiro valor dessa conquista não se mede em cifras. Ele se mede no respeito conquistado, nas árvores que voltam a crescer, nos jovens indígenas e não indígenas que encontram orgulho em sua cultura e na esperança que brota quando a sabedoria da floresta encontra espaço para dialogar com o mundo.

Assim, da aldeia ao planeta, a história de Bênki Piyãko segue como um rio amazônico: silenciosa em sua origem, mas poderosa em seu destino.

E agora, das margens do Rio Amônia até o coração do Japão, a floresta fala — e o mundo começa a escutar.  

✍️ Por: Cleudon França (Informações: A Gazeta do Acre).

📸 Fotos: Arquivo pessoal Cleudon França.

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