Artevismo Ambiental: Quando a Água Virou Voz, Corpo e Resistência

1ª Corrida Ecológica Pela Água de Marechal Thaumaturgo

Em Marechal Thaumaturgo, a água não apenas corre — ela fala.

E nesta semana dedicada ao Dia Mundial da Água, ela foi ouvida como nunca. Não apenas nos leitos dos rios que desenham a vida do município, mas nas ruas, na praça, nos corpos em movimento, nas lentes, nas palavras e nos silêncios cheios de significado. Foi uma semana em que a arte deixou de ser apenas expressão e se tornou ação — Artevismo.

O grande evento de encerramento não foi apenas uma programação. Foi um manifesto vivo.

A cidade pulsava. E o primeiro grito veio em forma de passos firmes no chão: a 1ª Corrida Ecológica da Água de Marechal Thaumaturgo reuniu atletas no masculino e feminino, em um percurso que não media apenas velocidade, mas consciência. Cada chegada era mais que uma vitória — era um compromisso. Os três primeiros colocados de cada naipe receberam suas premiações, mas, naquele momento, todos já haviam cruzado uma linha maior: a do despertar coletivo.

E então, o corpo virou linguagem.

Na roda, as crianças mostraram que o futuro já sabe gingar. A apresentação de capoeira trouxe não apenas movimentos, mas raízes — um elo entre cultura, resistência e natureza. Ali, cada golpe era também um gesto de preservação.

Logo depois, a força feminina tomou o espaço com a apresentação de dança Rit Box. Mulheres do município, em sintonia, transformaram energia em mensagem. Seus passos ecoavam como ondas — firmes, belas e necessárias — lembrando que cuidar da água também é um ato de coragem e protagonismo.

A arte também ganhou tela.

O público foi conduzido a uma jornada sensível com a exibição inédita e o lançamento oficial do documentário “Os Caminhos que Levam ao Santuário de Nova Olinda”. Um convite à contemplação, à memória e ao pertencimento. Um filme que não apenas mostra caminhos — mas revela conexões profundas entre território, cultura e natureza.

E como toda grande história precisa ser celebrada, vieram as premiações.

Foram reconhecidos os talentos da corrida ecológica e também dos concursos de desenho, fotografia e texto. Em cada traço, em cada imagem e em cada palavra, a água foi protagonista. Os três primeiros colocados de cada categoria receberam suas honrarias, mas o verdadeiro prêmio estava na construção de um olhar mais sensível sobre o mundo ao redor.

Foi mais que uma semana de atividades. Foi uma travessia de consciência.

Em Marechal Thaumaturgo, onde os rios são caminhos, sustento e identidade, falar de água é falar de vida. É entender que ela não é apenas recurso — é pertencimento. É estrada, alimento e história viva que corre entre as comunidades.

O projeto pioneiro, realizado pela Prefeitura de Marechal Thaumaturgo, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo, com apoio das demais secretarias, do grupo NUCA (Sede e Vila Triunfo), do Exército Brasileiro – PEF Marechal Thaumaturgo de Azevedo e da Polícia Militar, mostrou que quando instituições e comunidade caminham juntas, o impacto vai além do evento — ele se transforma em legado.

E ao final, quando as luzes se apagaram e os aplausos silenciaram, algo permaneceu aceso:

A certeza de que, ali, a água não apenas foi tema. Ela foi voz. Ela foi arte. Ela foi luta. Ela foi vida.

E o que fica, para além dos aplausos e das luzes que se apagam, é o legado vivo dessas ações: uma consciência coletiva mais forte, enraizada no respeito e no cuidado com a água. Cada passo da corrida, cada gesto da dança, cada imagem registrada e cada palavra escrita plantaram sementes no coração da comunidade. Sementes que agora germinam em atitudes — no uso responsável, na proteção dos rios, na valorização das nossas fontes de vida. Em Marechal Thaumaturgo, onde a água é caminho, sustento e identidade, o compromisso firmado durante essa semana não se encerra no calendário: ele segue corrente, como nossos rios, guiando as próximas gerações na missão de preservar esse bem tão precioso que é a água.

















✍️ Por: Cleudon França.

📸 Fotos: Rafael Nobre, Sávio Batista e Jardenilson Vieira.

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