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| Vista Aérea de Marechal Thaumaturgo |
Há lugares que conhecemos pelo
caminho. Outros passam a morar dentro da gente. Marechal Thaumaturgo é assim:
tem endereço nas margens do Juruá, mas encontra morada no coração de quem
reconhece, em suas águas e florestas, um pedaço da própria existência.
Neste 05 de novembro de 2026, o
município reúne motivos para celebrar: são 122 anos desde o marco histórico da
Batalha do Amônia, 34 anos de emancipação política e administrativa e a 9ª
edição do Festival do Feijão. Entre a memória e a festa, um povo se encontra
para dizer, à sua maneira, quanto vale pertencer a esta terra.
O calendário guarda duas datas que se
abraçam na história thaumaturguense. Em 28 de abril de 1992, veio a criação do
município. Já o 5 de novembro recorda o confronto de 1904 entre brasileiros e
tropas peruanas, episódio conhecido como Batalha do Amônia e preservado na
memória local como a Guerra da Trincheira. É dessa lembrança que nasce a data
de celebração municipal.
Mas a história desta terra tem raízes
anteriores aos registros oficiais e às disputas de fronteira. Vive nos povos
originários, nos conhecimentos transmitidos entre gerações, nas línguas, nos
cantos e nas maneiras de compreender a floresta. Ashaninka, Huni Kuin — também
conhecidos como Kaxinawá —, Apolima-Arara, Jaminawa, Kuntanawa e Kariri-Kariu
compõem a diversidade evocada nesta homenagem. Cada povo carrega sua própria
história; cada identidade merece respeito, reconhecimento e espaço no futuro
que construímos.
É também por isso que chamamos
Marechal Thaumaturgo de município verde. Aqui está a Reserva Extrativista do
Alto Juruá, primeira reserva extrativista criada no Brasil, expressão de uma
luta que aproximou a proteção da floresta e a permanência de suas comunidades.
Parte do território municipal integra ainda o Parque Nacional da Serra do
Divisor, patrimônio de uma natureza que impressiona e exige cuidado.
Por aqui, a paisagem participa da
vida. O rio indica o caminho, aproxima famílias, conduz a produção e acompanha
a chegada de quem volta para casa. O Juruá e as águas do Amônia, do Tejo, do
Arara, do Acuriá, do São João, do Caipora e do Breu atravessam também as
lembranças de quem cresceu reconhecendo lugares pelo barranco, pela curva e
pela comunidade que aparece adiante.
Nas vilas, nas comunidades
ribeirinhas, nas aldeias e na sede, o município ganha rosto. Está nas mãos de
quem planta, na experiência de quem navega, no trabalho de quem ensina e cuida.
Está na hospitalidade de quem oferece um lugar à mesa e encontra tempo para uma
conversa. Está, sobretudo, nas pessoas que fazem da vida coletiva uma
construção diária, mesmo diante das distâncias e das dificuldades.
Neste aniversário, a saudade também
merece lugar.
Lembramos os homens e as mulheres que
ajudaram a escrever nossa trajetória e já partiram. Gente cujos nomes
permanecem nas histórias de família, nas fotografias guardadas e nos
ensinamentos que ainda orientam nossos passos. Há ausências que se tornam mais
presentes nos dias de festa: falta uma voz, um abraço, alguém que gostaríamos
de encontrar no meio da celebração.
Honrar essas vidas é cuidar do que
nos deixaram e reconhecer quanto do nosso presente nasceu de seus esforços.
E então chega o Festival do Feijão,
reunindo o orgulho da produção, a cultura e a alegria dos encontros. Em sua
nona edição, a festividade renova a oportunidade de receber visitantes, rever
amigos e celebrar o trabalho de quem cultiva a terra. O alimento que dá nome à
festa lembra que há dedicação antes da colheita e muitas mãos por trás daquilo
que chega à mesa.
É nesse encontro entre trabalho,
memória e esperança que o sentimento thaumaturguense se revela.
Ser thaumaturguense é mais do que
estar: é SER.
É pertencimento, origem e raízes. É
carregar valores e princípios aprendidos em casa, às margens dos rios, no
convívio com os mais velhos e na experiência de caminhar junto. É ter orgulho
da própria história e disposição para continuar escrevendo seus próximos
capítulos.
É reconhecer os povos da floresta
como protagonistas desta terra. É acolher quem chega, respeitar as diferenças e
desejar que as novas gerações encontrem aqui oportunidades para viver com
dignidade, sem perder o vínculo com suas origens.
Diante de tudo isso, a homenagem se
transforma em declaração: Aqui é meu lugar. Meu canto e meu recanto.
Aqui, a memória tem nomes, a paisagem tem histórias e a saudade conhece o
caminho de casa.
Marechal Thaumaturgo, celebrar seus
122 anos desse marco histórico e teus 34 anos de emancipação é agradecer a quem
veio antes, reconhecer quem constrói o presente e assumir o cuidado com quem
ainda virá.
Porque há amores que a distância não
desfaz e que as palavras apenas tentam alcançar. O amor por esta terra é assim:
nasce das raízes, cresce no peito e encontra na alma seu lugar.
Parabéns, Marechal Thaumaturgo! Minha terra, minha história, meu orgulho!
✍️ Por: Cleudon França
📸 Fotos: Arquivo Pessoal Cleudon França













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