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| Plano Operacional Municipal de Saúde Integral e Integrada das Adolescências |
Em Marechal Thaumaturgo, o caminho
até uma comunidade pode durar horas. É preciso conhecer o rio, observar o céu,
respeitar a correnteza. Nas margens, entre casas, escolas e florestas, a
adolescência acontece: um corpo que se transforma, uma pergunta que procura
resposta, um sonho que começa a encontrar palavras.
Há muitas formas de crescer neste
chão amazônico. Há juventudes na sede, nas vilas, nos seringais, nos
assentamentos e nas aldeias. Cada uma carrega seus saberes, seus pertencimentos
e suas inquietações. Cuidar delas exige disposição para chegar perto, ouvir com
respeito e compreender a vida que existe em cada território.
Foi com esse compromisso que Marechal
Thaumaturgo deu um passo pioneiro, tornando-se o primeiro município a elaborar
o Plano Operacional Municipal de Saúde Integral e Integrada das
Adolescências, que integra as ações do Selo UNICEF 2025–2028.
Uma iniciativa que transforma o planejamento em responsabilidade compartilhada
e traça caminhos para que o cuidado alcance adolescentes de 10 a 19 anos.
Nas páginas do Plano, o território
orienta o trabalho. O nível dos rios, as distâncias e as condições de
deslocamento fazem parte das decisões. Uma ação de saúde precisa encontrar a
comunidade; um atendimento precisa ter continuidade; uma orientação precisa
fazer sentido para quem a recebe. Assim, o cuidado ganha endereço, percurso e
compromisso.
Esse caminho também foi construído
com vozes adolescentes. Nas escutas com o NUCA, nos subnúcleos de Triunfo e
Oriente e nos espaços de convivência, experiências e propostas ajudaram a dar
forma ao planejamento. Há uma força especial em perguntar a um jovem o que ele
precisa e assumir a responsabilidade de considerar sua resposta.
Saúde, Educação, Assistência Social,
CMDCA, Conselho Tutelar, NUCA, saúde indígena e demais parceiros passam a
compartilhar tarefas. Como os afluentes que alimentam o Juruá, cada serviço
contribui para uma mesma corrente de proteção. A articulação permite acompanhar
melhor, reconhecer dificuldades e construir respostas junto às famílias e às
comunidades.
O Plano prevê acolhimento, vacinação,
alimentação saudável, atividade física, atenção à saúde sexual e reprodutiva,
prevenção das violências e cuidado com a saúde mental. Por trás de cada ação,
há uma vida concreta: o adolescente que precisa conversar em segurança, a
menina que busca orientação, o jovem que deseja ser respeitado em sua
identidade e em sua cultura.
Ser o primeiro a elaborar esse
instrumento traz orgulho e responsabilidade. Agora, suas metas pedem trabalho
contínuo, acompanhamento e disposição para corrigir os rumos. O valor desse
pioneirismo crescerá a cada comunidade alcançada, a cada vínculo fortalecido e
a cada adolescente que encontrar acolhimento na rede de cuidado.
Entre 2026 e 2028, Marechal
Thaumaturgo tem diante de si uma travessia. O Plano oferece direção; as
equipes, as comunidades e os próprios adolescentes ajudarão a sustentar o
percurso. E, neste município onde os rios ensinam tanto sobre a vida, cuidar
também será aprender a seguir junto.
Que o cuidado suba os rios, entre nas escolas, chegue às aldeias e permaneça nas comunidades. Que encontre tempo para ouvir e condições para agir. E que cada adolescente possa reconhecer, em sua própria terra, um lugar onde crescer com saúde, dignidade e esperança.
✍️ Por: Cleudon França
📸 Fotos: Art’s Cleudon França





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