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| Expedição Técnica Curso Agente de Desenvolvimento Sócio Ambiental |
Há lugares onde a educação
ultrapassa as paredes da sala de aula e encontra seu verdadeiro sentido na
vivência. Em Marechal Thaumaturgo, foi exatamente isso que aconteceu com o
encerramento do Curso
Técnico em Bioeconomia – Agente de Desenvolvimento Socioambiental,
promovido pelo Governo do Estado do Acre, por meio do IEPTEC/CEFLORA, em
parceria com a Prefeitura de Marechal Thaumaturgo (Secretaria Municipal de Meio
Ambiente e Turismo). A conclusão da formação aconteceu de forma simbólica e
inspiradora: uma Expedição
Técnica, realizada nos dias 11 e 12 de julho, levando professores e
alunos ao Rio/Igarapé Acuruá, na comunidade Deus é Fiel, localizada na Reserva Extrativista Alto Juruá (RESEX).
Mais do que uma viagem de campo, a
expedição representou o encontro entre conhecimento científico, saberes
tradicionais e o modo de vida das famílias extrativistas que, diariamente,
demonstram que é possível produzir, conservar e gerar renda sem romper o
equilíbrio da floresta. Foi a confirmação de que a Amazônia não é apenas um
território de riquezas naturais, mas também um espaço privilegiado de
aprendizagem.
Com o tema "Empreendedorismo
Socioambiental, Sistemas Agroflorestais (SAFs), Economia Circular e Bioeconomia
Amazônica: Vivência Prática em Comunidades Extrativistas da RESEX",
a atividade consolidou todo o conhecimento construído ao longo da formação.
Cada conversa, cada trilha percorrida, cada propriedade visitada e cada
experiência compartilhada transformaram-se em uma verdadeira aula sobre
desenvolvimento sustentável.
Durante a expedição, os futuros
Agentes de Desenvolvimento Socioambiental puderam conhecer experiências
bem-sucedidas de Sistemas
Agroflorestais (SAFs), compreendendo como a diversidade de
espécies cultivadas fortalece a produção agrícola, recupera áreas degradadas e
conserva a biodiversidade amazônica. Também observaram como o empreendedorismo
socioambiental tem fortalecido a autonomia econômica das famílias da reserva,
agregando valor aos produtos da floresta e criando oportunidades sustentáveis
para as comunidades.
Outro aspecto marcante foi a
oportunidade de compreender, na prática, os princípios da economia circular,
percebendo como resíduos podem ser reaproveitados e como os recursos naturais
podem ser utilizados de forma inteligente e responsável. Ao mesmo tempo, os
estudantes conheceram cadeias produtivas sustentáveis desenvolvidas pelas
famílias locais, registrando técnicas, experiências e reflexões que certamente
servirão de base para sua futura atuação profissional.
Mais do que conteúdos técnicos, a
expedição proporcionou um exercício de sensibilidade. Os alunos puderam
vivenciar a rotina das comunidades tradicionais, compreender sua profunda
relação de pertencimento com a floresta e reconhecer que o desenvolvimento da
Amazônia passa, necessariamente, pela valorização daqueles que historicamente
aprenderam a viver em harmonia com ela.
As temáticas abordadas ao longo da
atividade — Bioeconomia
Amazônica, Empreendedorismo Socioambiental, Sistemas Agroflorestais (SAFs),
Economia Circular, Conservação dos Recursos Naturais, Desenvolvimento
Sustentável, Produção Familiar Sustentável e Valorização dos Saberes
Tradicionais — deixaram de ser apenas conceitos presentes nas
apostilas para se transformarem em experiências concretas, vividas às margens
dos rios e sob a sombra das árvores que sustentam a vida amazônica.
O encerramento do curso simboliza
também o nascimento de uma nova geração de profissionais comprometidos com o
futuro da floresta. Homens e mulheres preparados para atuar como
multiplicadores de conhecimento, agentes de transformação social e ambiental,
incentivando práticas sustentáveis e fortalecendo as economias locais baseadas
na sociobiodiversidade.
Ao final da expedição, ficou
evidente que formar um Agente de Desenvolvimento Socioambiental é muito mais do
que transmitir conteúdos. É despertar o olhar para a floresta, fortalecer o
respeito pelos povos tradicionais e compreender que desenvolvimento e
conservação caminham lado a lado quando existe conhecimento, responsabilidade e
compromisso coletivo.
Assim, entre rios, igarapés, sistemas agroflorestais, histórias de vida e ensinamentos compartilhados, encerrava-se oficialmente uma etapa importante da formação técnica. Mas, para cada aluno presente, iniciava-se uma nova missão: levar adiante os princípios da bioeconomia amazônica, tornando-se protagonista na construção de uma Amazônia mais sustentável, inclusiva e próspera para as atuais e futuras gerações.
✍️ Por:
Cleudon França.
📸 Fotos: Alunos
do Curso Técnico – Agente Desenvolvimento Sócio Ambiental



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