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| Membros Grupo de Trabalho |
Em Marechal Thaumaturgo, pensar a
primeira infância é olhar para os caminhos que uma criança percorre desde os
primeiros anos de vida. Alguns passam pelas ruas da sede. Outros acompanham os
rios, alcançam comunidades ribeirinhas, atravessam territórios indígenas e
ligam famílias aos serviços de saúde, educação e proteção social.
Esses caminhos têm distâncias,
condições e necessidades diferentes. Reconhecê-los é parte do desafio de
construir uma política pública que chegue a todas as crianças.
Foi com esse horizonte que, na manhã
de 29 de outubro de 2026,
a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo — SEMATUR recebeu o primeiro encontro do Grupo de Trabalho Intersetorial
responsável pela revisão e atualização do Plano Municipal da Primeira Infância
de Marechal Thaumaturgo — PMPI/MTH.
Realizada das 9h15min às 10h45min, a reunião
foi conduzida por Cleudon Silva França,
Articulador Municipal do Selo UNICEF e Coordenador do Grupo de Trabalho, e
secretariada por Sávio Silva Batista,
colaborador da SEMATUR e integrante do grupo. O encontro reuniu membros de
diferentes áreas para apresentar o Plano, discutir a metodologia e organizar as
próximas etapas dessa construção coletiva.
Por trás dos termos técnicos, uma
questão dá sentido ao trabalho: como transformar as necessidades das crianças
em prioridades concretas para o município?
A resposta exige reunir
conhecimentos. A educação acompanha a aprendizagem e as condições de acesso à
escola. A saúde observa o crescimento e o desenvolvimento infantil. A
assistência social e a rede de proteção conhecem situações de vulnerabilidade
que exigem cuidado. O meio ambiente ajuda a compreender como o território e
suas transformações interferem na vida das famílias. O trabalho intersetorial
cria condições para que essas experiências se encontrem.
Durante a reunião, os participantes
foram distribuídos em grupos temáticos, conforme suas áreas de atuação. A
tarefa será levantar e atualizar indicadores, debater necessidades e propor
ações para a versão revisada do PMPI. Os números terão importância nesse
percurso, desde que ajudem a enxergar as crianças e suas condições de vida.
É nesse ponto que a equidade
étnico-racial precisa atravessar o planejamento. Considerar as
infâncias indígenas, negras e de outros grupos presentes no município implica
reconhecer identidades, culturas, formas de cuidado e possíveis desigualdades
no acesso aos direitos. Essa perspectiva pede atenção ao enfrentamento da
discriminação e à valorização dos saberes das famílias e comunidades.
A equidade territorial,
por sua vez, coloca as distâncias dentro da discussão. Uma ação planejada para
a sede pode exigir outra organização para alcançar o interior. O deslocamento,
o transporte e a disponibilidade dos serviços influenciam o acesso ao
atendimento. Por isso, o lugar onde uma criança vive precisa ser considerado na
definição das estratégias.]
As perspectivas socioambiental
e climática também aproximam o Plano da realidade amazônica. A
qualidade da água, o saneamento, a destinação dos resíduos e as condições do
ambiente fazem parte do cuidado com a infância. Estiagens, cheias, fumaça e
calor precisam entrar no planejamento como questões capazes de afetar a saúde,
a rotina e o acesso das famílias aos serviços.
Incorporar essas dimensões significa
formular perguntas mais precisas: quais crianças estão mais expostas? Em quais
localidades? Que informações ainda faltam? Quais ações podem prevenir riscos e
assegurar a continuidade do atendimento?
O primeiro encontro abriu espaço para
organizar essa busca. Cada grupo terá reuniões específicas para reunir
informações e desenvolver propostas. No dia 17 de novembro, os
integrantes voltarão a se encontrar para apresentar os dados levantados e
trabalhar na revisão do texto. A apresentação do Plano à comunidade está
prevista para 30 de novembro, durante a 7ª Conferência
Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Até lá, haverá um trabalho de escuta,
análise e articulação. A qualidade do documento dependerá da capacidade de
transformar essas contribuições em objetivos, ações e formas de acompanhamento
que façam sentido para o município.
Ao término da reunião, o Plano ainda
estava em construção. Estavam organizados, porém, os primeiros passos de uma
tarefa que exige continuidade e responsabilidade compartilhada.
Entre as ruas da sede e os caminhos dos rios, há crianças crescendo agora. É para elas que o planejamento precisa encontrar direção — respeitando suas identidades, compreendendo seus territórios e assegurando que as diferenças sejam consideradas na construção de oportunidades.
✍️ Por: Cleudon França
📸 Fotos: Sávio Silva Batista













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