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| Novas Datas, Novos Tempos |
Em Marechal Thaumaturgo, onde os
rios desenham caminhos e a vida segue o compasso das águas e das colheitas, o
calendário também aprendeu a ouvir. Não mais como uma folha rígida pendurada na
parede, mas como um organismo vivo, que pulsa junto com o seu povo, com a terra
e com o céu amazônico.
Foi em reunião administrativa —
dessas que parecem técnicas, mas carregam o peso das decisões históricas — que
se redesenhou o tempo dos dois maiores símbolos festivos do município: o
Festival do Feijão e o Copão Thaumaturguense de Futebol. Mais do que datas, ali
se reposicionaram identidades.
O Festival do Feijão, expressão
máxima da força produtiva local, agora encontra seu lugar em novembro, mês em
que a cidade celebra também sua própria história. Não é apenas uma mudança de
agenda — é um reencontro com a essência. Afinal, o feijão, orgulho de quem
planta, colhe e transforma, nasce no tempo certo da terra. E a terra, como bem
sabem os povos amazônicos, não se apressa — ela ensina.
Antes, em julho, o festival
enfrentava a contradição de celebrar aquilo que ainda não estava pronto.
Faltava o grão, faltava o sabor, faltava o sentido completo da festa. Agora,
com a colheita já madura a partir de setembro, novembro surge como tempo de
abundância — de panelas cheias, de receitas vivas e de uma economia que gira com
mais força.
Já o Copão Thaumaturguense de
Futebol, palco de sonhos, rivalidades e glórias, troca as chuvas intensas de
janeiro pelo sol vibrante de junho e julho. Sai do período invernoso amazônico
— que tantas vezes castigou a Arena Thaumaturgo — para florescer nas férias
escolares, quando a cidade respira esporte, lazer e juventude.
A mudança não é apenas climática. É
estratégica. Janeiro, antes ocupado pelo Copão em meio ao novenário de São
Sebastião, ganha agora espaço para outras expressões culturais e religiosas. E
junho/julho passa a abrigar um evento que encerra não só partidas, mas também
emoções — com finais que prometem mais do que troféus: prometem espetáculo,
prometem celebração, prometem cidade reunida.
E há algo ainda mais profundo nesse
rearranjo: o reconhecimento de que o município é maior que seus eventos
centrais. Ao fortalecer festivais de praia, novenários e manifestações
indígenas nas comunidades da zona rural, a gestão amplia o olhar e distribui
protagonismo. É a cultura deixando de ser centralizada para se tornar
verdadeiramente territorial.
Agora, enquanto se desenha a minuta
da legislação que oficializará essas mudanças, Marechal Thaumaturgo já vive, na
prática, um novo tempo. Um tempo mais coerente, mais justo, mais alinhado com sua
realidade amazônica.
Porque, no fim, ajustar datas é
também ajustar destinos. E quando um povo decide ouvir sua própria terra, até o
calendário floresce.
✍️ Por:
Cleudon França.
📸 Fotos: Arquivo
Cleudon França.



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