segunda-feira, 20 de julho de 2026

Quando a floresta se transforma em sala de aula: Curso Técnico em Bioeconomia é encerrado com expedição na RESEX Alto Juruá.

Expedição Técnica Curso Agente de Desenvolvimento Sócio Ambiental

Há lugares onde a educação ultrapassa as paredes da sala de aula e encontra seu verdadeiro sentido na vivência. Em Marechal Thaumaturgo, foi exatamente isso que aconteceu com o encerramento do Curso Técnico em Bioeconomia – Agente de Desenvolvimento Socioambiental, promovido pelo Governo do Estado do Acre, por meio do IEPTEC/CEFLORA, em parceria com a Prefeitura de Marechal Thaumaturgo (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo). A conclusão da formação aconteceu de forma simbólica e inspiradora: uma Expedição Técnica, realizada nos dias 11 e 12 de julho, levando professores e alunos ao Rio/Igarapé Acuruá, na comunidade Deus é Fiel, localizada na Reserva Extrativista Alto Juruá (RESEX).

Mais do que uma viagem de campo, a expedição representou o encontro entre conhecimento científico, saberes tradicionais e o modo de vida das famílias extrativistas que, diariamente, demonstram que é possível produzir, conservar e gerar renda sem romper o equilíbrio da floresta. Foi a confirmação de que a Amazônia não é apenas um território de riquezas naturais, mas também um espaço privilegiado de aprendizagem.

Com o tema "Empreendedorismo Socioambiental, Sistemas Agroflorestais (SAFs), Economia Circular e Bioeconomia Amazônica: Vivência Prática em Comunidades Extrativistas da RESEX", a atividade consolidou todo o conhecimento construído ao longo da formação. Cada conversa, cada trilha percorrida, cada propriedade visitada e cada experiência compartilhada transformaram-se em uma verdadeira aula sobre desenvolvimento sustentável.

Durante a expedição, os futuros Agentes de Desenvolvimento Socioambiental puderam conhecer experiências bem-sucedidas de Sistemas Agroflorestais (SAFs), compreendendo como a diversidade de espécies cultivadas fortalece a produção agrícola, recupera áreas degradadas e conserva a biodiversidade amazônica. Também observaram como o empreendedorismo socioambiental tem fortalecido a autonomia econômica das famílias da reserva, agregando valor aos produtos da floresta e criando oportunidades sustentáveis para as comunidades.

Outro aspecto marcante foi a oportunidade de compreender, na prática, os princípios da economia circular, percebendo como resíduos podem ser reaproveitados e como os recursos naturais podem ser utilizados de forma inteligente e responsável. Ao mesmo tempo, os estudantes conheceram cadeias produtivas sustentáveis desenvolvidas pelas famílias locais, registrando técnicas, experiências e reflexões que certamente servirão de base para sua futura atuação profissional.

Mais do que conteúdos técnicos, a expedição proporcionou um exercício de sensibilidade. Os alunos puderam vivenciar a rotina das comunidades tradicionais, compreender sua profunda relação de pertencimento com a floresta e reconhecer que o desenvolvimento da Amazônia passa, necessariamente, pela valorização daqueles que historicamente aprenderam a viver em harmonia com ela.

As temáticas abordadas ao longo da atividade — Bioeconomia Amazônica, Empreendedorismo Socioambiental, Sistemas Agroflorestais (SAFs), Economia Circular, Conservação dos Recursos Naturais, Desenvolvimento Sustentável, Produção Familiar Sustentável e Valorização dos Saberes Tradicionais — deixaram de ser apenas conceitos presentes nas apostilas para se transformarem em experiências concretas, vividas às margens dos rios e sob a sombra das árvores que sustentam a vida amazônica.

O encerramento do curso simboliza também o nascimento de uma nova geração de profissionais comprometidos com o futuro da floresta. Homens e mulheres preparados para atuar como multiplicadores de conhecimento, agentes de transformação social e ambiental, incentivando práticas sustentáveis e fortalecendo as economias locais baseadas na sociobiodiversidade.

Ao final da expedição, ficou evidente que formar um Agente de Desenvolvimento Socioambiental é muito mais do que transmitir conteúdos. É despertar o olhar para a floresta, fortalecer o respeito pelos povos tradicionais e compreender que desenvolvimento e conservação caminham lado a lado quando existe conhecimento, responsabilidade e compromisso coletivo.

Assim, entre rios, igarapés, sistemas agroflorestais, histórias de vida e ensinamentos compartilhados, encerrava-se oficialmente uma etapa importante da formação técnica. Mas, para cada aluno presente, iniciava-se uma nova missão: levar adiante os princípios da bioeconomia amazônica, tornando-se protagonista na construção de uma Amazônia mais sustentável, inclusiva e próspera para as atuais e futuras gerações.








































✍️ Por: Cleudon França.

📸 Fotos: Alunos do Curso Técnico – Agente Desenvolvimento Sócio Ambiental

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