terça-feira, 8 de setembro de 2026

Marechal Thaumaturgo celebra o 7 de Setembro com tradição e união entre os povos da fronteira

Desfile Civico com a presença de alunos peruanos e povos originários

Em Marechal Thaumaturgo, as comemorações da Independência do Brasil seguem um caminho diferente. Elas não acontecem na sede do município, mas no lugar onde nossa história começou: a Vila Foz do Breu, comunidade localizada na fronteira entre o Brasil e o Peru.

É ali, às margens dos rios e cercada pela força da Floresta Amazônica, que o 7 de Setembro ganha um significado especial. Mais do que uma data no calendário cívico, a celebração tornou-se uma tradição e um marco histórico para o município, reunindo gerações, comunidades e diferentes povos em torno dos sentimentos de pertencimento, respeito e união.

A programação é composta por atividades cívicas, esportivas, culturais e musicais, encerrando-se com o tradicional baile dançante. São momentos de encontro e confraternização que movimentam a comunidade e mantêm viva uma história construída com esforço, resistência e amor por esse território.

No dia 7, antes mesmo de o sol nascer, a Vila Foz do Breu já estava desperta. Às cinco horas da manhã, a tradicional alvorada anunciou o início das celebrações. O som rompeu o silêncio da madrugada e convidou moradores, visitantes e autoridades a participarem de mais um capítulo dessa história.

Em seguida, as calçadas receberam os desfiles cívicos, com a participação das escolas municipais, representações indígenas e estudantes do país vizinho. As bandeiras do Brasil e do Peru dividiram o mesmo espaço, não como símbolos de separação, mas como sinais de respeito, amizade e integração entre os povos que vivem na fronteira.

As celebrações também contaram, como acontece tradicionalmente, com a presença dos povos originários do Rio Breu, especialmente Huni Kuĩ e Ashaninka. Com suas culturas, saberes, histórias e formas próprias de compreender o mundo, esses povos reafirmaram que a identidade de Marechal Thaumaturgo nasce da diversidade e da convivência entre diferentes comunidades.

Do outro lado da fronteira, os irmãos peruanos da vizinha Municipalidad de Yurúa também se fizeram presentes, por meio das escolas e de representantes da gestão municipal. Essa participação fortalece uma relação que ultrapassa os limites desenhados nos mapas. Na vida cotidiana, brasileiros e peruanos compartilham rios, caminhos, desafios, sonhos e laços de fraternidade.

Na Vila Foz do Breu, celebrar a Independência é também reconhecer nossas origens. É compreender que a soberania de uma nação se fortalece quando seus povos são respeitados, suas culturas valorizadas e suas fronteiras transformadas em espaços de cooperação e paz.

Assim, entre a alvorada, os desfiles, as manifestações culturais, as competições esportivas e a música, o 7 de Setembro reafirmou sua essência na fronteira: uma celebração marcada pela tradição, pela diversidade e pela união.

Naquele lugar distante dos grandes centros, mas profundamente próximo das raízes de Marechal Thaumaturgo, Brasil e Peru caminharam lado a lado. E a fronteira, por mais um ano, deixou de ser apenas uma linha de divisão para se tornar ponte de amizade, encontro e esperança entre os povos.













✍️ Por: Cleudon França

📸 Fotos: Assecom / PMMTH

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Marechal Thaumaturgo Inicia os Trabalhos de Revisão e Atualização de Seu PMPI sob as Perspectivas da Equidade Étnico-Racial, Territorial, Socioambiental e Climática.

A revisão do PMPI/MTH sob as perspectivas da equidade étnico-racial, territorial, socioambiental e climática. 

Em Marechal Thaumaturgo, falar sobre a primeira infância é falar sobre crianças que crescem em diferentes realidades. São meninos e meninas da cidade, das comunidades ribeirinhas, das aldeias indígenas, dos rios, dos seringais e das regiões mais distantes. Infâncias diversas, com identidades, culturas, necessidades e sonhos que precisam ser reconhecidos e respeitados pelo poder público.

Foi com esse olhar que o Município publicou o Decreto Municipal Nº. 316, de 9 de setembro de 2026, instituindo o Grupo de Trabalho Intersetorial responsável pela atualização e revisão do Plano Municipal pela Primeira Infância – PMPI.

O plano foi originalmente instituído pela Lei Municipal Nº. 179 de 11 de Março de 2024 com vigência de 10 (dez) anos – 2022/2032. Agora, sua atualização representa mais do que uma obrigação administrativa: constitui um compromisso coletivo com o presente e o futuro das crianças thaumaturguenses.

Os trabalhos estão sendo articulados e coordenados pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA de Marechal Thaumaturgo junto a Comissão Intersetorial do Programa Selo UNICEF (2025-2028), com a participação dos diferentes órgãos, instituições e segmentos que compõem a rede municipal de proteção e garantia dos direitos das crianças.

A atualização e revisão do PMPI também integram as ações estratégicas do Programa Selo UNICEF – Edição 2025–2028, fortalecendo o compromisso do Município com a construção de políticas públicas intersetoriais, participativas e capazes de produzir resultados concretos na vida de crianças e adolescentes.

O decreto determina que esse trabalho seja realizado sob as perspectivas da equidade étnico-racial, territorial, socioambiental e climática. Essa orientação reconhece que as crianças não partem todas do mesmo lugar e que, por isso, as políticas públicas precisam considerar as desigualdades históricas, as distâncias geográficas, as diferenças culturais e os impactos ambientais que atingem cada território.

Em um município amazônico como Marechal Thaumaturgo, cercado por rios, florestas, comunidades tradicionais e povos indígenas, não é possível pensar a primeira infância sem compreender o território. Também não é possível planejar o futuro das crianças ignorando as mudanças climáticas, as enchentes, as secas extremas, as queimadas, as dificuldades de deslocamento e os riscos socioambientais que afetam diretamente a saúde, a alimentação, a educação e a proteção das famílias.

A revisão do PMPI deverá reconhecer as múltiplas infâncias existentes no município, combater as desigualdades, incorporar práticas antirracistas e fortalecer o respeito à identidade, à cultura e aos conhecimentos dos povos indígenas, das populações ribeirinhas e das comunidades tradicionais.

O trabalho também deverá integrar educação ambiental, proteção da biodiversidade, adaptação às mudanças climáticas, justiça socioambiental e redução dos riscos de desastres. Cada meta precisará estar vinculada ao planejamento, ao orçamento público e a mecanismos permanentes de acompanhamento e avaliação.

O Grupo de Trabalho Intersetorial terá prazo de 180 dias, contado a partir da publicação da portaria de designação de seus integrantes, podendo ser prorrogado uma única vez por igual período. O Decreto Nº. 316 entrou em vigor na data de sua publicação, em 04 de Setembro de 2026.

Mais do que revisar páginas, tabelas e indicadores, o desafio será escutar as crianças, as famílias e as comunidades. Será preciso chegar aos lugares onde a política pública nem sempre chega com a mesma velocidade. Escutar quem vive às margens dos rios, quem enfrenta longas distâncias e quem preserva, há gerações, modos próprios de cuidar, ensinar e proteger.

Atualizar o Plano Municipal pela Primeira Infância é reconhecer que nenhuma criança pode ser deixada para trás por causa de sua cor, origem, identidade, condição social ou lugar onde nasceu.

Quando o CMDCA, o poder público e a sociedade unem esforços em torno da primeira infância, não estão apenas elaborando um plano. Estão escolhendo o futuro que desejam construir: um futuro com mais justiça, igualdade, proteção e dignidade.

Porque cuidar da primeira infância é cuidar das raízes de toda a sociedade — e garantir que cada criança de Marechal Thaumaturgo tenha o direito de crescer, sonhar e construir a própria história.



✍️ Por: Cleudon França.

📸 Registros Fotográficos: Arquivos Pessoal.

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